sexta-feira, 3 de junho de 2016

Escravidão: Parte I



ESCRAVIDÃO

Parte I

Grande centro de agricultura e pecuária que abastecia as zonas de mineração no período do ouro, tornando-se depois uma espécie de entreposto da região circunvizinha - Sant’Anna de São João Acima possuía grandes fazendas de criação e agricultura o que explica o número considerável de escravos que habitavam o seu território.
Coévos da Abolição calculam razoavelmente em cerca de um milhar a população que a Lei Aurea libertou. Isso, para um pequeno distrito perdido no ámago do sertão mineiro, dá uma ideia da importância econômica de Itaúna naquela época.
O comercio de escravos era feito com regularidade e em grandes proporções pela família de João Francisco, do Cortume, pela firma Moreira e Filhos e outros, sendo os maiores proprietários de escravaria o Cel. Manoel Gonçalves Cançado, da fazenda da Cachoeira, hoje Santanense; Cel. Quintiliano Lopes Cançado, da fazenda Antônio Jose de Siqueira e outros.
Gente de religião e dotada de bons sentimentos, os itaunenses sempre foram senhores compassivos para com os escravos.
Havia pequenas exceções, cuja fama, é justo notar, já nos chega um pouco exagerada pela tradição.
Assim é que contam horrores da fazenda da Bagagem, onde os escravos sofriam suplícios atrozes de uma senhora sem entranhas, que foi a esposa do fazendeiro Custódio Coelho Duarte.
Até há pouco tempo existiam efetivamente, na Bagagem, os instrumentos de castigo para os negros que, não suportando mais os sofrimentos, dizem que se atiravam no açude da fazenda, suicidando-se.
Contam que essa Sinhá, enciumada pela brandura com que o esposo tratava uma escrava chamada Bárbara, fez-lhe introduzir pimenta e dicoada de barrileiro   pela vagina; e que, tomada de dores atrozes, atirou-se no açude, afogando-se.


Fonte:
FILHO, João Dornas. Itaúna: Contribuição para a História do Município. Belo Horizonte. 1936, p.33-34.
Foto: Brasiliana Fotográfica

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