sábado, 6 de agosto de 2016
terça-feira, 14 de junho de 2016
FRANCISCO CRIOULO
"Aos sete de Fevereiro de
mil oitocentos cincoenta e dois na Capela do Rosário foi sepultado o cadáver de
Francisco, crioulo, inocente[1], filho legítimo de João Rodrigues
dos Santos e Maria Inocência de Jesus. E para constar faço este
assento em que me assigno. O vigário encomendado
João Batista de Miranda."
[1] Faixas temporais:
“velho”, “inocente”, “recém-nascido” e “sem referência”.
Em muitos registros a
classificação por faixa etária está acompanhada da idade numérica. A partir
destas anotações pode-se chegar à conclusão de que os “inocentes” correspondem
às crianças de até 12 anos, e os “sem referência” aos adultos (dos 14 até os
50/60 anos).
MORALES. Walter Fagundes.
MOI. Flávia Prado. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, SP, 2008,
p.125.
Referência disponível em:
"Brasil, Minas
Gerais, Registros da Igreja Católica, 1706-1999," images, FamilySearch ,
Itaúna > Santana > Óbitos 1840, Jan-1888, Fev > image 2 of 92;
Paróquias Católicas, Minas Gerais (Catholic Church parishes, Minas Gerais).
Acesso em> https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:939N-D7S9-G2?i=1&cc=2177275
Pesquisa e Organização: Charles Aquino
Pesquisa e Organização: Charles Aquino
domingo, 12 de junho de 2016
ITAÚNA: VOCABULÁRIO QUIMBUNDO PARTE II
VOCABULÁRIO QUIMBUNDO
Parte
II
E
é coisa curiosa a examinar o povoado do Catumba,
que se me afigura às ruínas de considerável quilombo. Ainda hoje só é habitado
por pretos que só falam entre si o quimbundo [...].
Ainda
me lembro bem de vários tipos populares negros, hoje desaparecidos, que serviam
de troça para os moleques de Itaúna. Eram pretos de ascendência africana, si
não direta, pelo menos muito próxima.
E como era costume aditar ao nome do negro o da nação a que pertencia, chamavam a esses pretos Vicente Bunda[1], Chico Bié, Cristina Bunduda, sendo que está me parece Kakuana, pela pequena estatura e a monstruosa esteatopigia[2] que apresentava.
E como era costume aditar ao nome do negro o da nação a que pertencia, chamavam a esses pretos Vicente Bunda[1], Chico Bié, Cristina Bunduda, sendo que está me parece Kakuana, pela pequena estatura e a monstruosa esteatopigia[2] que apresentava.
Língua
de formação bem rudimentar ainda, o congoês,
pelos seus dialetos, não possui os atributos e as flexões que apresentam as
línguas mais evoluídas como o português.
Por isso, o quimbundo que surpreendi em Minas recorre sempre ao português nos casos em que o dialeto não possui recurso para a expressão. Estão neste caso os artigos demonstrativos, as conjunções, etc.
Aliás, utilizam esses recursos em casos absolutamente indispensáveis por motivo de clareza. O dialeto não os possui. Quando querem dizer: - “ O João fala muito bem a língua de preto”, se expressam assim: - “João oméra navuro quiapossóca undaca de quimbundo”.
Por isso, o quimbundo que surpreendi em Minas recorre sempre ao português nos casos em que o dialeto não possui recurso para a expressão. Estão neste caso os artigos demonstrativos, as conjunções, etc.
Aliás, utilizam esses recursos em casos absolutamente indispensáveis por motivo de clareza. O dialeto não os possui. Quando querem dizer: - “ O João fala muito bem a língua de preto”, se expressam assim: - “João oméra navuro quiapossóca undaca de quimbundo”.
A
formação do feminino também é de simplicidade infantil. Resume-se em ajuntar a
palavra - mulher (ocaia ou mandumba) ao
subistantivo a ser modificado: - rei (vicóra), Rainha (ocaia do vicóra) –
mulher do rei. Porco (camguro), porca (mandumba do canguro) [3].
O
número de verbos é reduzidíssimo e nunca flexionam para as diversas expressões
de tempo e modo. A compreensão exata da frase se consegue pelo assunto de que
trata a oração. Cachia, por exemplo,
é o infinito do verbo chegar.
E a frase: O cuêto vindêro cachia no curimã, que dizer: - o branco está chegando no serviço ...
E a frase: O cuêto vindêro cachia no curimã, que dizer: - o branco está chegando no serviço ...
[1]
É interessante o fenômeno que se deu com esta palavra no Brasil. Bunda ou
M’bunda pe adjetivo gentílico de um povo bántu. Por extensão, empregavam-na com
a significação de ruim, feio, reles, inferior. E por isso é empregada
vulgarmente para designar a anatomia posterior aos ossos da bacia (nádegas) ...
[2]
Esteatopigia é um termo médico que define o acúmulo de gordura nas nádegas.
[3]
Quer me parecer que mandumba eles empregam quando se tratam de irracionais e
vicóra quando de gente.
Texto extraído do livro: FILHO, João Dornas. A Influência Social do Negro Brasileiro. Ed. Guaíra, São
Paulo, 1942, p.72-73.
Pesquisa
e elaboração: Charles Aquino
Lei 10.639
Presidência
da República
Casa
Civil
Subchefia
para Assuntos Jurídicos
LEI
No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003.
Mensagem
de veto
Altera a Lei no 9.394, de
20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade
da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras
providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber
que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de
dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e
79-B:
"Art.
26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e
particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura
Afro-Brasileira.
§
1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o
estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a
cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional,
resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política
pertinentes à História do Brasil.
§
2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão
ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de
Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
§
3o (VETADO)"
"Art.
79-A. (VETADO)"
"Art.
79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da
Consciência Negra’."
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data
de sua publicação.
Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182o da
Independência e 115o da República.
LUIZ
INÁCIO LULA DA SILVA
Cristovam
Ricardo Cavalcanti Buarque
Referências:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm
http://slideplayer.com.br/slide/390140/
http://etnicoracial.mec.gov.br/10-menu-principal/82-10-anos-da-lei-10-639-03
http://www.pedagogiagm.unir.br/downloads/5251_novas_diretrizes_curriculares_para_o_estudo_da_historia_e_da_cultura_afro_brasileira_e_africana___lei_10.639___2003.pdf
ITAÚNA: CENSO 1831
RECENSEAMENTO
EM ITAÚNA 1831
A freguesia foi dividida
em 16 quarteirões, cada um com 25 fogos, totalizando 400 fogos. Em cada fogo[1] fazia-se o levantamento de
todos residentes, inclusive filhos casados e escravos.
O recenseamento buscava
conseguir os seguintes dados: número de quarteirões em cada freguesia; 25 fogos
em cada quarteirão; nome dos habitantes de cada fogo; a qualidade do habitante,
se era branco, pardo, preto, africano, crioulo ou cabra; sua condição, se era
livre ou escravo; legítimo ou exposto[2]; idade, estado, se casado
ou solteiro e ocupação.
BRANCOSA
|
844
|
PARDOSB
|
870
|
CRIOULOSC
|
555
|
AFRICANOS/PRETOSD
|
488
|
TOTAL
|
2.757
|
A: Descendentes de portugueses;
B: Miscigenação
brancos/africanos;
C: Filhos de
africanos ou pretos nascidos no Brasil;
D: Africanos nascidos no continente africano e trazidos (à força) em navios negreiros.
[1]
Casa de residência ou que pertencia à casa ou família, lareira, fogão e por
extensão, lar ou domicílio.
[2]
Recém-nascido abandonado pela mãe em outra casa; enjeitado. Geralmente eram
colocados na portas das casas, entregues a orfanatos administrados por
freiras.
Referências:
Fonte impressa:ITAÚNA: Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa: Itaúna em Detalhes. 2003, p.22.
Fonte: http://www.nphed.cedeplar.ufmg.br/
Acervo: Shorpy ( Fotografia meramente ilustrativa)
Pesquisa, Organização e Arte: Charles Aquino
Pesquisa, Organização e Arte: Charles Aquino
https://orcid.org/0009-0002-8056-8407





