O blog "Afro Memória Itaunense" apresenta a série documental “ Festa do Reinado" em Itaúna, produção
audiovisual realizada pela Prefeitura Municipal de Itaúna dentro do Programa de
Educação Patrimonial dedicado à preservação e valorização deste importante bem
cultural do município.
A narrativa é conduzida pelo professor e pesquisador
Geraldo Fonte Boa, cuja trajetória está profundamente vinculada aos estudos da
história e das tradições populares itaunenses.
Originalmente
divulgada em oito episódios curtos, a série buscou registrar aspectos
históricos, religiosos, simbólicos e culturais da Festa de Nossa Senhora do
Rosário — manifestação que integra uma das mais importantes expressões da
religiosidade popular e da memória afro-brasileira em Itaúna.
Mais do que uma
festividade religiosa, o Reinado constitui um patrimônio coletivo construído ao
longo de gerações, envolvendo fé, devoção, musicalidade, ancestralidade,
identidade comunitária e resistência cultural.
Os episódios apresentados pela
Prefeitura em 2018 tiveram justamente o objetivo de aproximar a população dessa
herança histórica, reforçando sua importância para a preservação da memória
local.
Nesta edição
especial reunida pelo Afro Memória Itaunense, os oito episódios foram
organizados em uma única página, permitindo ao público acompanhar de forma
contínua a narrativa histórica sobre a formação e o significado da Festa de
Nossa Senhora do Rosário em Itaúna.
Ao longo da
série, são abordados temas fundamentais da tradição do Reinado:
A origem histórica da festa em Itaúna;
Sua popularização no município;
O papel das capelas e dos espaços sagrados;
Os festejos e rituais tradicionais;
As Guardas do Reinado e seus significados;
Os sons, cores e símbolos presentes nas celebrações;
A importância das Rainhas da festa;
A preservação patrimonial vinculada ao Cruzeiro e às
Capelas de Nossa Senhora do Rosário.
O episódio final
destaca a dimensão patrimonial da celebração, lembrando que as capelas e o
Cruzeiro vinculados ao Reinado constituem bens tombados, preservando uma
tradição que atravessa mais de 150 anos da história itaunense.
O Afro Memória Itaunensedisponibiliza esta compilação com finalidade exclusivamente
cultural, educativa e de preservação da memória histórica local, mantendo os
devidos créditos à produção original realizada pela Prefeitura Municipal de
Itaúna e à narrativa do professor Geraldo Fonte Boa.
Documentario Reinado Ep 01
Documentario Reinado Ep 02
Documentario Reinado Ep 03
Documentario Reinado Ep 04
Documentario Reinado Ep 05
Documentario Reinado Ep 06
Documentario Reinado Ep 07
Documentario Reinado Ep 08
Referências e
Créditos
Produção
Original: Prefeitura Municipal de Itaúna.
Em uma Itaúna marcada pelos bailes populares, pelas serestas sob a luz amarelada dos postes e pelos carnavais que transformavam a Praça da Matriz em um verdadeiro palco popular, uma voz se impunha acima da multidão.
Não era apenas potência vocal. Era presença. Era identidade. Era memória coletiva. Essa voz pertencia a Maria Concebida Viana, eternizada na cidade simplesmente como Dunga.
Cantora negra, Dunga construiu seu nome pela força do talento. Sua voz atravessou décadas, atravessou gerações e permaneceu viva na lembrança afetiva de Itaúna mesmo após sua morte, em 14 de outubro de 2005.
Sua trajetória foi profundamente itaunense. Sua arte nasceu das ruas, dos encontros musicais, das escolas de samba, dos grupos de baile e das serestas que moldaram a cultura popular da cidade nas décadas de 1960, 1970 e 1980.
Durante anos, integrou conjuntos musicais e apresentações ao lado de nomes importantes da música local, como o acordeonista Glício Mendes. Sua presença artística se expandiu para além de Itaúna através do projeto Minas ao Luar, promovido pela Rede Globo Minas, pelo qual percorreu diversas cidades mineiras durante parte da década de 1980, levando consigo a musicalidade e a identidade cultural itaunense.
Mas talvez tenha sido no carnaval que Dunga tenha alcançado uma dimensão quase mítica. Em uma época em que os “puxadores” de samba eram tradicionalmente homens, ela assumiu a condução dos sambas-enredo da Escola de Samba Clube dos Zulus. Não apenas ocupou aquele espaço: dominou-o. Sua voz passou a incendiar a antiga avenida da Praça da Matriz, transformando desfile em espetáculo.
Fernando Lúcio de Lima recorda exatamente essa força: “A Dunga não podia faltar. Voz poderosa que incendiava a Praça da Matriz nos bons tempos do carnaval itaunense. Ouço a voz da Dunga nos desfiles memoráveis do Zulu. Era uma rainha que cantava.”
A expressão é precisa: “uma rainha que cantava”. Porque Dunga não era apenas intérprete; ela ocupava o espaço com autoridade artística. Sua presença carregava dignidade, imponência e carisma.
Sua trajetória, porém, não se limitava ao samba e à música popular. O texto sobre as organistas da Matriz de Sant’Ana registra sua participação ao lado da organista Anna Alves Vieira dos Reis, entoando os versos graves e solenes do Agnus Dei da Missa in honorem Sancti Michaelis Archangelis.
Esse detalhe é extremamente significativo historicamente: revela uma artista capaz de transitar entre o universo popular do carnaval e o repertório sacro erudito da liturgia católica.
Essa versatilidade desmonta qualquer tentativa simplista de enquadrar Dunga apenas como cantora carnavalesca. Ela era intérprete de múltiplos repertórios, dona de uma voz lírica e potente, capaz de ocupar tanto a avenida quanto a igreja, tanto a seresta quanto o canto religioso.
Sandra Crespo Lima resumiu essa lembrança em poucas palavras: “Conheci a Dunga. Voz linda. Ela cantou no Zulu.”
Já Agostinho Rocha recorda não apenas a cantora, mas a presença humana: “Já tive o prazer de contracenar com a Dunga num curto diálogo teatral, no Sindicato dos Metalúrgicos! Tudo é saudade para nós, corações vividos...!”
O comentário revela outro aspecto importante: Dunga participava ativamente da vida cultural da cidade. Não era uma artista isolada, mas alguém integrada aos espaços coletivos de sociabilidade popular.
Pepe Chaves, por sua vez, destacou a dimensão afetiva deixada por ela: “Sua voz potente e lírica será ainda lembrada por muitos itaunenses que tiveram o prazer de ouvi-la.” [...] "Dunga possuía uma voz que remetia às grandes cantoras negras da música gospel norte-americana".
E talvez seja justamente aí que reside a permanência de Dunga. Sua memória sobrevive porque ela pertence à experiência emocional da cidade. Dunga não foi apenas “uma cantora de Itaúna”. Ela se tornou parte da paisagem sonora da memória itaunense.
Sua última apresentação pública possui força quase simbólica. Poucos dias antes de falecer, voltou ao palco justamente em uma edição do Minas ao Luar, realizada na Praça Dr. Augusto Gonçalves. Era como se encerrasse sua trajetória diante da própria cidade que ajudou a cantar durante décadas.
Quando se fala nos antigos carnavais de Itaúna, nas serestas, nos bailes populares, na Praça da Matriz tomada pelo samba e pela música, sua voz continua presente, não apenas como lembrança, mas como patrimônio afetivo e cultural de uma cidade inteira.
NOTA SOBRE IMAGENS E VÍDEO DE DUNGA
As imagens e o vídeo apresentados nesta publicação não correspondem, em sua totalidade, a registros fotográficos ou audiovisuais originais de Maria Concebida Viana, a Dunga.
Parte do material consiste em recriações visuais interpretativas produzidas com auxílio de inteligência artificial (IA), elaboradas a partir de fotografias históricas, relatos memorialísticos, referências documentais e descrições relacionadas à cantora itaunense.
As recriações buscaram preservar, de forma respeitosa, características físicas, estéticas e contextuais associadas à artista, especialmente sua atuação nos meios musicais e culturais de Itaúna ao longo das décadas de 1960, 1970 e 1980.
O objetivo deste material é contribuir para a preservação da memória cultural itaunense, valorizando a trajetória artística de Dunga e ampliando o acesso público à sua história por meio de recursos visuais contemporâneos inspirados em fontes históricas disponíveis.
Todo o conteúdo foi desenvolvido pelo projeto Itaúna Décadas com finalidade exclusivamente cultural, educativa, histórica e memorialística.
CHAVES, Pepe. Depoimento sobre Maria Concebida Viana (Dunga). Publicado no grupo “Itaúna... Bons Tempos”, Facebook, entre 2018 e 2020.
LIMA, Fernando Lúcio de. Depoimento sobre os carnavais itaunenses e a participação de Dunga nos desfiles do Clube dos Zulus. Publicado no grupo “Itaúna... Bons Tempos”, Facebook, entre 2018 e 2020.
ROCHA, Agostinho. Depoimento sobre participação teatral ao lado de Dunga no Sindicato dos Metalúrgicos de Itaúna. Publicado no grupo “Itaúna... Bons Tempos”, Facebook, entre 2018 e 2020.
LIMA, Sandra Crespo. Depoimento sobre a atuação musical de Dunga no Clube dos Zulus. Publicado no grupo “Itaúna... Bons Tempos”, Facebook, entre 2018 e 2020.
XADREZ, Cepex. Comentário em memória da cantora Dunga. Publicado no grupo “Itaúna... Bons Tempos”, Facebook, entre 2018 e 2020.
A trajetória do missionário amazonense do município de Tefé, o Espiritanto Revd. Pe. Cáuper, é no mínimo fascinante e gloriosa! Após sair da exuberante Amazônia, percorreu por plagas lusitanas, passando pelas Gerais e fincando suas raízes na cidade maravilhosa, que o recebeu de braços abertos — o Rio de Janeiro.
O INÍCIO
Em uma viagem pela América Latina, no ano de 1893, após visitar um colégio que os Espiritanoshaviam inaugurado no ano de 1891 em Lima (Perú), o visitador das obras espiritanas, Pe. Xavier Libermann em trânsito pelo Brasil, passou pela cidade do Rio de Janeiro e encontrou com o recém nomeado primeiro Bispo de Manaus, D. José Lourenço da Costa Aguiar, o qual, demonstrou interesse e necessidade em trazer missionários para a diocese daquele município brasileiro.
Este aproveitou a oportunidade para falar das grandes necessidades da nova diocese, pediu a ajuda da Congregação e convidou o Pe. Xavier para a sua tomada de posse em Manaus. Então, o Pe. Xavier teve oportunidade de conhecer o cónego Dupuy, sacerdote secular francês, que era vigário da paróquia de Sta. Teresa em Tefé, que influenciará na vinda dos Espiritanos para Tefé. A cidade de Manaus tinha apenas 2 padres para 50 000 habitantes, e no interior havia só 5 ou 6 padres. (ESPIRITANA, 2004, p.8)
Chegando em Paris, o Pe. Xavier levou o pedido à direção da Congregação, “defendendo o envio dos Espiritanos aos índios da Amazônia” (ESPIRITANA, 2004, p.8).
No ano de 1896, o Bispo José Lourenço segue para Europa para pedir apoio ao Conselho Geral e reforçar o pedido do Espiritano Padre Xavier. O desideratum foi alcançado e no dia 13 de abril de 1897 em Lisboa, os missionários, padre Parissier e padre Friederich, desembarcaram em Manaus e os outros, padre Xavier Libermann e o irmão Donaciano seguiram viagem até o município de Tefé do estado do Amazonas. Instalados no local e trabalhando muito, os Espiritanos construíram a “Escola Agrícola e Industrial de Bocca de Tefé”, contendo internato, carpintaria, curtume, torno mecânico, fábrica de chocolate, de vinho, caju, entre outros. (ESPIRITANA, 2002, p.56)
MISSIONÁRIO CÁUPER
No ano de 1913, dava início a construção do Seminário de São José, com destino a formação de padres. Após a conclusão do seminário em 1921 e com a mesma finalidade de trabalho e formação, criou-se também um internato no mesmo local. Nascido no município de Tefé do estado do Amazonas, no dia 6 de março de 1919, Manuel de Lima Cáuper, foi um dos primeiros a passar pelo seminário (ESPIRITANA, 2002, p.57).
Na década de 30, o jovem missionário Cáuper seguiu para Portugal com objetivo de estudar na cidade de Braga, realizando o seu noviciado no ano de 1942. Os votos perpétuos e ordenação sacerdotal, foram recebidos no Brasil em outubro de 1947 na Catedral de Santa Tereza, em Tefé. Homem simples e usando sua batina somente nas horas de cerimônia, o Padre Manuel de Lima Cáuper, foi missionário por dois anos no alto dos rios amazonenses.
MINAS GERAIS
Em Minas Gerais, passou pela cidade de Curvelo, chegando no início da década de 50 à Itaúna, seu trabalho era ensinar em ginásios e seminários das congregações. O estabelecimento que trabalhou no município itaunense, denominava-se, Ginásio Sant’Ana, hoje Colégio Santana, cujo local era administrado pelos padres missionários da Congregação do Espírito Santo (Tombo II, p.20,26).
O provedor responsável, era o Pe. Pedro Schoonakker auxiliados pelo missionário Pe. Cáuper e os padres holandeses. Em 1954, era iniciado os trabalhos do Seminário denominado “Menor de Nossa Senhora de Fátima”,com um número de treze alunos matriculados (Tombo II, p.28). O reitor responsável, foi o Revdo. Padre Adrianus Petrus Turkemburg e mais dois padres integrando os serviços — Pe. Martinho Cools e Pe.Luiz Turkenburg. No ano de 1955, no dia 9 de março a cidade recebeu a visita do Superior Geral dos Padres do Espírito Santo, o Revdo. Padre Francisco Griffin (Tombo II, p.42).
(clicar na imagem para melhor visualização)
CONGRESSO VICENTINO DIOCESANO: DIVINÓPOLIS & LUZ
De acordo com o senhor Bispo de Luz, Dom Belchior da Silva Netto, o Congresso Vicentino foi feito com o consenso da duas Dioceses. Itaúna se preparou dignamente para este certame de caridade e de união. Foram organizadas as diversas comissões (Tombo II, p. 61,62):
Central Dom Cristiano de Araújo Pena, Bispo Diocesano, Bispo Divinópolis
Central Dom Belchior Joaquim da Silva Netto, Bispo Diocesano de Luz
Organizadora Pe. Antônio Wiemers, vigário de Santanense, Itaúna
Organizadora Pe. Martinho Cools, vigário de vila Padre Eustáquio, Itaúna
Organizadora Antônio Fonseca de Faria, presidente Conselho Diocesano, Itaúna
Organizadora José Augusto de Carvalho, presidente Conselho Particular, Itaúna
Finanças Dr. Célio Soares de Oliveira, Prefeito Municipal, Itaúna
Hospedagem Dr.Guaracy de Castro Nogueira, Gerente da Cia. Itaunense, Iaúna
Propaganda Dr. Milton de Oliveira Penido, Itaúna
Secretário Dr. Lauro Antunes de Morais, Itaúna
Arte Pe. Manoel de Lima Cáuper, Itaúna
Arte Dona Wanda Nogueira Corradi, Itaúna
Ornamentação Murilo Santos Guimarães, Itaúna
Ornamentação Dona Artumira de oliveira, Itaúna
Recepção Antônio Henrique da Fonseca, Itaúna
Recepção Dr. Ivan Perillo, Itaúna
BANDEIRAS: Foram confeccionadas mais de trezentas bandeiras de Itaúna, que foram colocadas na frente das casas.
ESCUDO DO CONGRESSO: No centro deste escudo um coração dentro deste uma lâmpada com uma chama, simbolizando a missão do Vicentino — a caridade ardente. Em cima do escudo — 2º Congresso Vicentino – Itaúna Julho 1962. Em baixo — “Deus Charitas est”. Na frente de todos as casas e nos postes da praça e ruas principais foi colocado o escudo.
DISTINTIVO DO CONGRESSO: Foi o escudo impresso e cada congressista trazia em seu paletó. A confecção foi dádiva do Banco Minas Gerais S.A.
PROGRAMA DO CONGRESSO: Foi uma obra artística. Na capa uma vista da praça com a matriz de Itaúna em cor, contendo os seguintes dizeres: 2º Congresso Vicentino Diocesano de Divinópolis e de Luz — “Unidos na Caridade de Cristo” De 28 de Junho a 1º de Julho de 1962. Itaúna — Minas Gerais.
FRUTOS MISSIONÁRIOS
Pe. Adriano Turkemburg foi bastante influente na vida de um garoto itaunene — Mário Clemente Neto, nascido no ano de 1940, em uma comunidade rural denominada, Capão Escuro, que chegou a pertencer a Itaúna, após o ano de 1948 passou para Carmo do Cajuru. Sendo o 15º filho de uma numerosa família de 20 irmãos, Mário não hesitou quando recebeu o convite do padre missionário para servir a Deus. Diante da resposta, o garoto que acabar de se formar no Ginásio Sant’Ana, iniciava uma grande jornada. Passando pelo seminário de Mariana, Teresópolis, no Rio e chegando até Roma, onde estudo teologia e várias línguas, além do latim.
ORDENAÇÃO SARCEDOTAL
Itaúna assistiu com grande alegria a e emoção a ordenação de um de seus filhos: Mário Clemente Neto, pertencente à Congregação dos padres do espírito Santo, que dirige o Ginásio Sant’Ana, no dia 14 de agosto às 10 horas na matriz Sant’Ana. A igreja foi ricamente ornamentada. O oficiante foi o Bispo Diocesano Dom Cristiano Pena, acompanhado de um grande número de sacerdotes, regulares do Espírito Santo e Franciscanos, bem como os seminaristas destas mesmas entidades (Tombo II, p. 80).
PRIMEIRA MISSA
Dia 15 de agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora; o Pe. Mário Clemente Neto celebrou a sua 1º missa, foi concelebrada com mais quatro padres, entre os quais, o vigário e o superior dos padres do espírito Santo. O côro foi dos seminaristas dirigido pelo Pe. Geraldo. A pregador foi o pe. Manoel de Lima Cáuper, sendo para todos, momentos de grande emoção e piedade (Tombo II, p.80).
Dom Mário Clemente Neto, CSSp até hoje exerce um grande trabalho no Amazonas, no município de Tefé. Escreveu um livro “Vim para Servir” – Cartas de Um Missonário.
Em sua passagem por Itaúna, Padre Cáuper realizou grandes trabalhos missionários e culturais. Orador pujante de grande eloquência, também nas festivas datas cívicas – como nos vistosos desfiles de 7 de setembro- estava sempre à frente do microfone, a inflamar os jovens alunos para o amor à pátria! Sendo músico, dotado de grande inspiração e amor por nossa terra barranqueira de Sant’anna, compôs um hino em homenagem à cidade: “Avante Itaúna” e outro em louvor às bodas de prata sacerdotais do então pároco de Sant’anna: “Hino ao Pe. José Netto” (no ano de 1962). Outro presente para a comunidade itaunense, seria o hino que compôs para os trabalhadores:
HINO OFICIAL DA COMPANHIA INDUSTRIAL ITAUNENSE
Letra & Música: Revmo. Pe. Manuel de Lima Cáuper
Ao primeiro clarão da alvorada,
Vibra ao longe a sirene de alerta!
Operários, à fina sagrada! ...
Que o trabalho enobrece e liberta.
CÔRO:
Avante operários da Itaunense ...
Nós somos a voz do progresso a marchar!
Nós somos a força indomável que vence
Cumprindo o dever: Trabalhar! Trabalhar!
Capital e trabalho marchando
Bem unidos em prol do amanhã.
São as forças da paz no comando
Das vitórias da ordem cristã!
Operários da Itaunense,
Eia, pois: — Trabalhar! Produzir!
A riqueza que a toso pertence
Vem trazer-nos ditoso porvir.
Dando as mãos, no valor fatigante,
À conquista do mesmo ideal,
Operários, patrões: — Sempre avante!
Pela nossa vitória vinal.
Operários, cristãos, brasileiros,
Demos graças, num preito de fé.
Ao patrono comum dos obreiros,
Nosso guia fiel São José.
Ao fulgor deste cinquentenário,
Celebremos a glória, o louvor
Desse nobre varão lengendário
Nosso grande e imortal fundador.
Foi aproximadamente uma década de dedicação, trabalho e amor, que Padre Cáuper realizou e deixou nos corações itauneses, cuja, missão rendeu bons frutos e seus ecos, ressoam nos corações das gerações que o conheceram até hoje.
PESQUISA e ORGANIZAÇÃO:
Charles Aquino, graduando em História, 8º período, UEMG/Divinópolis/ MG.
REFERÊNCIAS:
LIVRO DO TOMBO II: Paróquia de Sant’Anna de Itaúna.
Missão Espiritana: Revista das Circunscrições Espiritanas Lusófonas. Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo, junho 2002 vol 1, e 2004 vol 5, p.8,9,56,57.
Acervo: Formandos 1957 no Colégio Santana/Itaúna: Marcos Lacél Camargos.
NOTA SOBRE IMAGEM E VÍDEO DE PADRE CÁUPER
(21/05//2026)
A primeira imagem e o vídeo apresentados nesta publicação não correspondem a registros fotográficos ou audiovisuais originais. Tratam-se de recriações visuais interpretativas produzidas com auxílio de inteligência artificial (IA), elaboradas a partir de fotografias históricas, referências documentais e elementos biográficos relacionados ao missionário espiritano Padre Cáuper.
O objetivo deste material é contribuir para a preservação da memória, valorização histórica e difusão cultural, oferecendo ao público uma aproximação visual artística inspirada em fontes históricas disponíveis.
Todo o conteúdo foi desenvolvido pelo projeto Itaúna Décadas com finalidade exclusivamente cultural, educativa e memorialística.