sábado, 27 de junho de 2026
terça-feira, 23 de junho de 2026
quinta-feira, 11 de junho de 2026
NOVA RAINHA
Temos uma Nova Rainha Perpétua de Santa Ifigênia
Um registro da cerimônia documenta a coroação de Samara Regina Ferreira como nova Rainha Perpétua de Santa Ifigênia do Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Itaúna (MG), sucedendo sua avó, D. Maria da Conceição de Jesus (D. Sãozinha), que durante décadas exerceu papel central na preservação da tradição congadeira local.
A escolha da nova Rainha Perpétua representa a continuidade de um legado familiar, religioso e cultural profundamente vinculado à Irmandade das Sete Guardas e à preservação das festividades do Reinado. A sucessão reafirma a transmissão da missão desempenhada pela Rainha Perpétua entre gerações, fortalecendo a memória coletiva e a permanência das tradições afro-brasileiras que caracterizam o Reinado de Nossa Senhora do Rosário em Itaúna.
A trajetória de Samara Regina Ferreira no Reinado teve início ainda na infância, quando foi coroada princesa e passou a integrar as celebrações do Reinado de Nossa Senhora do Rosário, evidenciando a continuidade da tradição entre gerações.
Com a coroação, Samara Regina Ferreira passou a assumir, ao lado do Rei Congo Dilermando e da Rainha Conga Maria Ana, a responsabilidade pela condução dos festejos do Reinado, mantendo viva uma herança cultural transmitida entre gerações.
O registro descreve ainda o ritual de coroação realizado na Capelinha das Sete Guardas. A cerimônia é marcada por cortejo, cânticos, orações e pela entrega dos principais símbolos da realeza congadeira: a coroa, o manto e a insígnia.
Cada etapa é acompanhada por versos tradicionais entoados pelo Capitão-Mor e respondidos pela assembleia, reforçando o caráter sagrado da coroação e a devoção a Nossa Senhora do Rosário.
Por se tratar da coroação da Rainha de Santa Ifigênia, o rito inclui ainda elementos específicos ligados à santa, como a entrega simbólica da Casinha de Santa Ifigênia, além de cantos, homenagens e do ritual de cumprimentos realizado pelos congadeiros.
As guardas de Moçambique e Candombe participam ativamente da
celebração, saudando a nova rainha com flores, cânticos e toques de caixas e
gungas.
Ao final, o cortejo conduz a nova Rainha até a residência de D. Sãozinha, que permanece como quartel das guardas,
simbolizando a continuidade da tradição.
Ao final, o registro reafirma o Reinado como expressão de fé, memória, ancestralidade e resistência cultural, ressaltando que o respeito a essa manifestação passa pelo conhecimento de suas tradições e pela convivência com a comunidade congadeira de Itaúna.
Nota metodológica
A presente síntese foi elaborada com base em um relato de observação produzido pelo Professor Geraldo Fonte Boa durante a cerimônia de coroação da Rainha Perpétua de Santa Ifigênia. Como registro contemporâneo ao acontecimento, a fonte documenta aspectos da liturgia, dos cânticos e das práticas cerimoniais do Reinado de Nossa Senhora do Rosário em Itaúna, constituindo relevante testemunho para o estudo dessa tradição.
Nota complementar
A
cerimônia de coroação da Rainha Perpétua de Santa Ifigênia, realizada em 2024,
também foi registrada em vídeo por Gilson Antônio e encontra-se
disponível no YouTube. O registro audiovisual constitui uma importante fonte
complementar para a preservação da memória do Reinado de Nossa Senhora do
Rosário de Itaúna, permitindo acompanhar os ritos, cânticos, símbolos e
homenagens que marcaram a coroação de Samara Regina Ferreira como
sucessora de D. Sãozinha na função de Rainha Perpétua de Santa Ifigênia.
Referências
FONTE BOA, Geraldo. Temos uma nova Rainha Perpétua de Santa Ifigênia! Itaúna, 24 mar. 2024. Disponível em: https://phonteboa.blogspot.com/2024/03/temos-uma-nova-rainha-perpetua-de-santa.html. Acesso em: 3 jun. 2026.
Registro audiovisual da cerimônia: Coroação da Rainha Perpétua de Santa Ifigênia (2024) – Gilson Antônio. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=w4A4QzSEt9Y
© AFRO MEMÓRIA ITAUNENSE
Projeto independente de memória, história e patrimônio cultural.
Síntise, pesquisa, arte e concepção:
Charles Galvão de Aquino — Historiador (Registro nº 343/MG).
Nota sobre a imagem de capa
A imagem de capa consiste em uma representação artística inspirada em referências históricas, culturais e iconográficas relacionadas ao Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Itaúna (MG). Não se trata de um registro fotográfico de um evento específico, mas de uma composição concebida para ilustrar o universo simbólico e religioso abordado nesta obra.
quinta-feira, 4 de junho de 2026
DESCOROAMENTO
Ritual de Descoroamento da Rainha Perpétua de Santa Ifigênia em Itaúna
Um relato de observação produzido durante a cerimônia documenta o ritual de descoroamento de D. Maria da Conceição de Jesus (D. Sãozinha), Rainha Perpétua de Santa Ifigênia do Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Itaúna, preservando uma rara descrição das práticas litúrgicas e simbólicas que acompanham esse rito funerário.
A cerimônia, realizada durante o velório de D. Sãozinha, constitui uma manifestação rara e profundamente simbólica da tradição congadeira, marcada pela despedida de uma liderança que, durante décadas, esteve à frente da organização do Reinado em Itaúna.
Antes da descrição do ritual, o documento contextualiza a importância de D. Sãozinha para a comunidade congadeira. Além de exercer a função de Rainha Perpétua, sua residência servia como quartel de guardas tradicionais do Reinado, tornando-se um importante espaço de preservação da fé, da cultura e das práticas religiosas ligadas à devoção a Nossa Senhora do Rosário e a Santa Ifigênia.
Sua atuação estava diretamente associada à manutenção das festividades anuais, que mobilizam guardas, capitães, familiares e devotos em torno de uma tradição transmitida entre gerações.
O velório foi marcado por homenagens realizadas pelos capitães e integrantes das guardas, que expressaram sua despedida por meio de orações e cânticos. Em respeito à solenidade do momento, os instrumentos tradicionalmente presentes nas festas permaneceram silenciados, reforçando o caráter de luto e reverência à rainha falecida.
O ritual de descoroamento teve início algumas horas antes do sepultamento, sob a condução do Capitão-Mor da Irmandade das Sete Guardas. Sobre o corpo da rainha foram colocados os símbolos de sua função: a coroa, o manto e o cetro. A cerimônia desenvolveu-se por meio de orações e cânticos responsoriais, nos quais a assembleia acompanhava as invocações conduzidas pelos capitães. Em seguida, realizou-se a retirada ritual desses objetos sagrados.
Utilizando bastões, os capitães erguiam a coroa, o manto e o cetro sem tocá-los diretamente com as mãos, conduzindo-os ao longo do corpo da falecida até entregá-los às suas filhas e netas. Esse gesto simbolizava o encerramento de sua missão terrena como Rainha Perpétua e a devolução das insígnias que representam a autoridade espiritual e cerimonial exercida durante sua vida.
Após a retirada dos símbolos, os participantes entoaram cânticos finais que confirmavam o descoroamento da rainha e exaltavam sua trajetória de devoção. O ritual foi encerrado com vivas a Nossa Senhora do Rosário e ao Rosário de Maria, reafirmando a dimensão religiosa da cerimônia e a crença na continuidade espiritual da missão cumprida por D. Sãozinha.
O documento registra ainda que as homenagens prosseguiram durante o cortejo fúnebre, na Capela do Rosário e no cemitério, sempre acompanhadas por cânticos e manifestações de respeito à Rainha Perpétua.
Ao final, informa que a coroa permaneceu sob a guarda de suas descendentes, responsáveis por definir quem assumiria futuramente a função de Rainha Perpétua de Santa Ifigênia, garantindo a continuidade da tradição do Reinado em Itaúna.
Por fim, o texto contextualiza historicamente a existência da Capela das Sete Guardas, vinculando sua criação às tensões ocorridas na década de 1940 entre congadeiros e autoridades eclesiásticas.
O ritual de descoroamento evidencia que a morte da Rainha Perpétua não representa o encerramento da tradição, mas a continuidade de uma missão religiosa transmitida entre gerações. Ao preservar os cânticos e a memória da falecida, a cerimônia reafirma a identidade coletiva da comunidade congadeira e a permanência das tradições afro-brasileiras que constituem o Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Itaúna.
FONTE BOA, Geraldo. Ritual de Descoroamento da Rainha Perpétua de Santa Ifigênia em Itaúna. Disponível em: https://phonteboa.blogspot.com/2023/12/ritual-de-descoroamento-da-rainha.html . Acesso em consulta realizada para esta síntese.
A análise apresentada neste capítulo baseia-se principalmente em um relato de observação produzido durante a cerimônia de descoroamento de D. Maria da Conceição de Jesus (D. Sãozinha), documento que registra detalhadamente a sequência ritual, os cânticos e as práticas litúrgicas observadas. Por se tratar de um registro contemporâneo ao acontecimento, a fonte constitui um importante testemunho documental para o estudo do Reinado de Nossa Senhora do Rosário em Itaúna.
Projeto independente de memória, história e patrimônio cultural.
Síntese, pesquisa, arte e concepção:
Charles Galvão de Aquino — Historiador (Registro nº 343/MG).
Mais registros sobre a Rainha
Itaúna se despede de Dona Sãozinha, Rainha do Reinado
Expoente da cultura e folclore religioso
Nota sobre a imagem de capa
A imagem de capa consiste em uma representação artística inspirada em referências históricas, culturais e iconográficas relacionadas ao Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Itaúna (MG). Não se trata de um registro fotográfico de um evento específico, mas de uma composição concebida para ilustrar o universo simbólico e religioso abordado nesta obra.
terça-feira, 2 de junho de 2026
VOZES DO REINADO
A série documental A História do Reinado em Itaúna, produzida pela Prefeitura Municipal de Itaúna, oferece ao público a oportunidade de conhecer as narrativas, memórias e experiências compartilhadas pelos próprios integrantes de uma das mais importantes manifestações culturais e religiosas do município.
Organizada em quatro episódios temáticos, a produção aborda diferentes dimensões do Reinado, contemplando suas narrativas de origem, a trajetória das guardas, a centralidade da fé e a importância da festa como espaço de preservação da memória coletiva e da ancestralidade afro-brasileira.
Mais do que registrar uma celebração tradicional, o documentário permite compreender os significados atribuídos ao Reinado por aqueles que vivenciam e preservam essa manifestação cultural em seu cotidiano.
Antes da análise dos episódios, é importante destacar que a série documental A História do Reinado em Itaúna, produzida pela Prefeitura Municipal, constitui um registro fundamentado principalmente na memória coletiva, na tradição oral e nos testemunhos dos próprios integrantes.
Ao longo dos quatro episódios, as narrativas são construídas a partir das experiências, crenças, lembranças, devoções e interpretações compartilhadas por capitães, reis, rainhas, congadeiros e demais participantes da manifestação.
Nesse sentido, o documentário não se apresenta como uma pesquisa histórica baseada na análise crítica de documentação escrita, registros arquivísticos ou debates historiográficos especializados.
Sua proposta consiste em dar voz aos sujeitos que vivenciam e preservam a tradição do Reinado, registrando narrativas de origem, valores religiosos, símbolos, práticas culturais e memórias transmitidas entre gerações.
Dessa forma, os relatos apresentados devem ser compreendidos como expressões da memória social e da identidade cultural dos grupos envolvidos.
Elementos como a lenda de Chico Rei, o resgate de Nossa Senhora do Rosário pelas guardas e outras narrativas presentes nos episódios integram um universo simbólico construído e preservado pela tradição oral, desempenhando papel fundamental na formação da identidade do Reinado.
Ainda que nem sempre possam ser verificadas por meio da documentação disponível, essas narrativas possuem relevância histórica por revelarem as formas pelas quais as comunidades interpretam suas origens, atribuem significados ao passado e fortalecem seus vínculos coletivos no presente.
Sob essa perspectiva, o documentário oferece uma importante fonte para a compreensão de como os próprios congadeiros interpretam sua história, sua fé, sua ancestralidade e sua trajetória coletiva.
Mais do que buscar estabelecer uma reconstrução factual das origens do Reinado, a produção permite observar os significados atribuídos à manifestação por aqueles que a mantêm viva na contemporaneidade.
Do ponto de vista metodológico, torna-se necessário distinguir memória, tradição oral e história. Enquanto a história acadêmica busca compreender o passado por meio da análise crítica de diferentes fontes documentais, a memória constitui uma construção social permanentemente atualizada pelos grupos que a preservam.
A tradição oral, por sua vez, atua como um importante mecanismo de transmissão de conhecimentos, valores, crenças e experiências entre gerações. Essas diferentes formas de interpretação do passado não devem ser vistas como excludentes, mas como dimensões complementares que contribuem para a compreensão dos fenômenos culturais.
Assim, o principal valor histórico da série documental não reside na comprovação documental dos acontecimentos narrados, mas na possibilidade de compreender como os participantes do Reinado elaboram suas lembranças, constroem suas identidades e atribuem sentido à própria existência da manifestação.
A estrutura da série documental acompanha um percurso narrativo que parte das narrativas de origem do Reinado, avança para a organização e a continuidade das guardas, aprofunda-se na dimensão espiritual da manifestação e culmina na celebração pública da festa.
Ao longo dos quatro episódios, os depoimentos dos participantes revelam como memória, ancestralidade, fé, tradição e pertencimento são constantemente articulados na construção da identidade congadeira, expressa nas práticas e vivências do Reinado.
Dessa forma, mais do que apresentar uma cronologia dos acontecimentos, o documentário permite compreender os significados atribuídos ao Reinado por aqueles que vivenciam e preservam essa manifestação cultural na contemporaneidade.
Ao registrar essas vozes, o documentário preserva um importante patrimônio imaterial e oferece um testemunho significativo sobre os processos de construção da memória coletiva, da religiosidade popular e da ancestralidade afro-brasileira em Itaúna.
Projeto independente de memória, história e patrimônio cultural.
Texto, pesquisa, arte e concepção:
Charles Galvão de Aquino — Historiador (Registro nº 343/MG).
REFERÊNCIAS:
PREFEITURA
MUNICIPAL DE ITAÚNA. A História do Reinado em Itaúna – Episódio 1.
YouTube, 01/08/2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=p0WuchARm_c.
Acesso em: 10 jun. 2026.
PREFEITURA
MUNICIPAL DE ITAÚNA. As Guardas – Episódio 2. YouTube, 11/08/2025.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PHCkF8z7roM.
Acesso em: 10 jun. 2026.
PREFEITURA
MUNICIPAL DE ITAÚNA. A Fé – Episódio 3. YouTube, 18/08/2025. Disponível
em:
https://www.youtube.com/watch?v=uPtRln9vjhM. Acesso em: 10 jun. 2026.
PREFEITURA
MUNICIPAL DE ITAÚNA. A Festa – Episódio 4. YouTube, 26/08/2025.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Az0mXhLqbKU
. Acesso em: 10 jun. 2026.
Nota sobre a imagem de capa
A imagem utilizada na capa deste documentário foi produzida com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), tendo como referência fotografias, registros visuais, elementos arquitetônicos, símbolos, relatos orais e informações históricas relacionados ao Reinado de Itaúna. Trata-se de uma representação artística inspirada no patrimônio cultural e religioso da manifestação, não correspondendo a um registro fotográfico real de um evento específico.
https://orcid.org/0009-0002-8056-8407



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