quinta-feira, 4 de junho de 2026

DESCOROAMENTO

RAINHA PERPÉTUA DO REINADO: ITAÚNA MG

Ritual de Descoroamento da Rainha Perpétua de Santa Ifigênia em Itaúna

O texto do Professor Geraldo Fonte Boa registra o ritual de descoroamento de D. Maria da Conceição de Jesus (D. Sãozinha), Rainha Perpétua de Santa Ifigênia do Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Itaúna.

A cerimônia, realizada durante seu velório, é apresentada como uma manifestação rara e profundamente simbólica da tradição congadeira, marcada pela despedida de uma liderança que, por décadas, esteve à frente da organização e condução dos festejos do Reinado na cidade.

Antes de descrever o ritual, o autor contextualiza a importância de D. Sãozinha para a comunidade congadeira. Além de exercer a função de Rainha Perpétua, sua residência servia como quartel de guardas tradicionais do Reinado, tornando-se um importante espaço de preservação da fé, da cultura e das práticas religiosas ligadas à devoção a Nossa Senhora do Rosário e a Santa Ifigênia.

Sua atuação estava diretamente associada à manutenção das festividades anuais, que mobilizam guardas, capitães, familiares e devotos em torno de uma tradição transmitida entre gerações.

O velório foi marcado por homenagens realizadas pelos capitães e integrantes das guardas, que expressaram sua despedida por meio de orações e cânticos. Em respeito à solenidade do momento, os instrumentos tradicionalmente presentes nas festas permaneceram silenciados, reforçando o caráter de luto e reverência à rainha falecida.

O ritual de descoroamento teve início algumas horas antes do sepultamento, sob a condução do Capitão-Mor da Irmandade das Sete Guardas. Sobre o corpo da rainha foram colocados os símbolos de sua função: a coroa, o manto e o cetro. A cerimônia desenvolveu-se por meio de orações e cânticos responsoriais, nos quais a assembleia acompanhava as invocações conduzidas pelos capitães. Em seguida, realizou-se a retirada ritual desses objetos sagrados.

Utilizando bastões, os capitães erguiam a coroa, o manto e o cetro sem tocá-los diretamente com as mãos, conduzindo-os ao longo do corpo da falecida até entregá-los às suas filhas e netas. Esse gesto simbolizava o encerramento de sua missão terrena como Rainha Perpétua e a devolução das insígnias que representam a autoridade espiritual e cerimonial exercida durante sua vida.

Após a retirada dos símbolos, os participantes entoaram cânticos finais que confirmavam o descoroamento da rainha e exaltavam sua trajetória de devoção. O ritual foi encerrado com vivas a Nossa Senhora do Rosário e ao Rosário de Maria, reafirmando a dimensão religiosa da cerimônia e a crença na continuidade espiritual da missão cumprida por D. Sãozinha.

O texto também destaca que as homenagens prosseguiram durante o cortejo fúnebre, na Capela do Rosário e no cemitério, sempre acompanhadas por cânticos e manifestações de respeito à rainha falecida.

Ao final, o autor ressalta que a coroa permaneceu sob a guarda de suas descendentes, responsáveis por definir quem assumiria futuramente a função de Rainha Perpétua de Santa Ifigênia, garantindo a continuidade da tradição do Reinado em Itaúna.

Por fim, o texto contextualiza historicamente a existência da Capela das Sete Guardas, vinculando sua criação às tensões ocorridas na década de 1940 entre congadeiros e autoridades eclesiásticas.

Dessa forma, o ritual de descoroamento é apresentado não apenas como uma despedida individual, mas como uma expressão da memória coletiva, da resistência cultural e da permanência das tradições afro-brasileiras que constituem o Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Itaúna.


Referência

FONTE BOA, Geraldo. Ritual de Descoroamento da Rainha Perpétua de Santa Ifigênia em Itaúna. Disponível em: https://phonteboa.blogspot.com/2023/12/ritual-de-descoroamento-da-rainha.html  . Acesso em consulta realizada para esta síntese.


 © AFRO MEMÓRIA ITAUNENSE

Projeto independente de memória, história e patrimônio cultural.

Síntese, pesquisa, arte e concepção:

Charles Galvão de Aquino — Historiador (Registro nº 343/MG).


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Nota sobre a imagem de capa

A imagem de capa foi produzida com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), a partir de referências visuais, históricas e culturais relacionadas ao Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Itaúna/MG. Trata-se de uma representação artística inspirada na tradição congadeira, não correspondendo a um registro fotográfico real de um evento específico.

Local: Itaúna, MG, Brasil