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domingo, 25 de fevereiro de 2024

PÉRICLES RODRIGUES GOMIDE

Ou simplesmente LIQUE, nasceu em Itaúna, filho do Prof. José João Rodrigues Vieira e Leopoldina Gomide da Conceição. LIQUE foi dentista, músico, ator, autor e contrarregra teatral. Participou da famosa peça “AS CIGARRAS DO SERTÃO" ano de 1925.

Casou-se com Eponina Nogueira Gomide e teve 8 filhos: Orlando Nogueira Gomide, pintor; Elsa Nogueira Gomide, alta funcionário do Ministério da Educação e a quem Itaúna muito deve, pois, sua ajuda foi fundamental para o reconhecimento dos Cursos da Universidade de Itaúna; Sinésio Nogueira Gomide, durante muitos anos foi funcionário da Cia. Tecidos Santanense; Sóror Maria Imaculada Conceição, freira; Péricles Gomide Júnior, bancário e escritor e, como tal, adotou o pseudônimo de Pancrácio Fidélis. 

Durante muito tempo, escreveu crônicas sobre Itaúna no jornal "Folha do Oeste", de seu irmão PIU. Tais crônicas foram transformadas no livro "Crônicas e Narrativas de Pancrácio Fidélis", lançado na década de 60, e fez enorme sucesso; Sebastião Nogueira Gomide, o PIU, funcionário dos Correios como Telegrafista e em 1943 fundou o jornal "Folha do Oeste", onde era o proprietário, editor, redator e repórter.

O jornal circulou até sua morte e a viúva, Sra. Esther, (que era também sua prima em primeiro grau), vendeu para o jornalista José Waldemar Teixeira de Melo, que por sua vez o repassou ao jornalista Renilton Pacheco, que mudou o nome para "Folha do Povo" e circula até os dias de hoje; José Nogueira Gomide, engenheiro geólogo, funcionário da Petrobrás; Eponina Maria do Carmo Nogueira Gomide Soares, funcionária pública.

Por ocasião da decisão de qual seria o nome do atual Teatro Municipal do nosso município, houve uma corrente que defendia o nome de Péricles Gomide. Infelizmente não conseguiram, o que foi considerado uma enorme injustiça. Todavia a memória de LIQUE estará para sempre na história de Itaúna, pois, uma das ruas da cidade leva o seu nome.

Sua esposa Eponina construiu a capela da Imaculada Conceição, justamente à Rua Péricles Gomide. Na ocasião o terreno onde está erguida a capela pertencia e foi doado por LIQUE. Hoje a capela está um pouco descaracterizada pois foi construída quase na sua frente à casa onde reside o pároco de Sant'Ana. Na época da construção, parte da família tentou em vão, impedir. Não conseguiu.

Esta é, resumidamente, a história do grande ator PÉRICLES GOMIDE, o "LIQUE".

Uma Nota: Prof. Vilmar Aparecido de Sousa, o PITUCA, diretor e produtor teatral, muito conhecido em Itaúna, declarou textualmente sobre o LIQUE: “FOI O MAIS NOTÁVEL E RESPEITADO ATOR QUE JÁ PISOU NOS PALCOS DE ITAÚNA”

Prof. Juarez Nogueira Franco (In Memoriam)


Diploma: Instituto de Medicina Electrica, Cirurgia Dentaria e Massagem

 
PÉRICLES GOMIDE, que aqui iniciou os seus trabalhos, tendo praticado inicialmente com o Sr. Antônio José dos Santos e Miguel Alves, em viagens que os mesmos realizavam com percursos grandes. Nestas viagens trabalhou durante nove meses em Araxá, quando regressou, em 1902 instalou definitivamente o seu gabinete dentário em Itaúna.

Desde este período até o ano de 1944, trabalhou praticando a clínica e prótese, atendendo sempre na atual residência à Rua Antônio de Matos. Foi ajudante de Promotor de Justiça do termo de Itaúna, até ser instalada a Comarca. Ingressou como agente do Correio no ano de 1910 permanecendo até 1946, quando foi aposentado.

Foi também diretor de diversas corporações musicais que existiram naquela época, professor de música, compositor, tendo sido presidente do “Teatro Mário Matos” quando foi levada a revista “A Cigarra do Sertão”. Durante muitos anos foi ensaiador de peças teatrais. Compôs os seguintes dobrados: Dengoso, Gafanhoto, Itaúna. E as seguintes valsas: Eponina, 23 de agosto, Sorriso, muito popular em Itaúna.

Casado com D. Eponina Nogueira Gomide, tendo os seguintes filhos: Orlando Gomide, Sinésio, Sebastião, Péricles, Elza, Maria do Carmo e José. 

Tem em sua casa um diploma da Universidade Escolar Internacional, concedendo o direito de trabalhar como dentista, datada no Rio de Janeiro em 1º de março de 1913. Posteriormente foi concedida uma licença pelo Departamento Estadual de Saúde como prático licenciado.

Prof. William Leão (In Memoriam)


REFERÊNCIAS:
Revista Acaiaca: História da Odontologia no município de Itaúna. p. 146,147,148,149. Ano: 1954, Org. Celso Brant, Belo Horizonte/MG.
Pesquisa e organização: Charles Aquino.
Acervo: Professor Marco Elísio.
Textos: Prof. Juarez Nogueira Franco, Prof. William Leão.

 


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

QUILOMBO DA FAMÍLIA RODRIGUES

 Segundo o itaunense e genealogista Guaracy de Castro Nogueira, na margem esquerda do rio São João, adjacente à vila da Beira do Rio, no município de Itaúna/MG, estendia-se uma significativa extensão de terreno cultivado, delimitada por um “antigo muro de pedras”. Este local abrigou a família Rodrigues, remanescente de quilombo, constituída inteiramente por afrodescendentes. As visitas a este local revelaram algo verdadeiramente extraordinário para a nossa região em meados do século XX. Neste refúgio isolado residiam várias famílias, todas unidas pelo sangue partilhado e por vestígios tênues da sua herança africana. O mais velho deles era Belmiro, que ocupava o estimado cargo de patriarca, respeitado por todos. O genealogista ressalta que o patriarca revelou várias histórias de outros antepassados ​​da mesma linhagem que outrora habitaram esta mesma terra, embora as suas identidades permanecessem envoltas em mistério.

A própria terra ostentava solo fértil e água abundante, resultando em colheitas variadas. Sob a sábia liderança do velho Belmiro, as provisões eram distribuídas de acordo com as necessidades individuais de cada membro da comunidade, garantindo a sua sobrevivência coletiva. Os habitantes desta comunidade tinham interação mínima com a cidade; eles eram quase totalmente autossuficientes. Envolvidos em atividades como agricultura, colheita e tecelagem, não tinham interesse em documentos de propriedade ou dinheiro. Em vez disso, o seu desejo era encontrar uma nova terra onde pudessem manter o seu modo de vida atual.

Guaracy, em seu caráter informativo, revela que obteve com sucesso autorização de diversas empresas e procedeu à compra do restante da Fazenda do João Alves de Morais (vulgo João do Aarão). Neste terreno foram construídas seis casas, cada uma com sua área cercada e escritura oficial. Além disso, foi proporcionado a eles acesso à água, garantindo que tivessem tudo o que desejavam. Como gesto de compensação, cada casal também recebeu Cr$ 10.0000,00 (dez mil cruzeiros) em 26 de janeiro de 1956.

Em certas ocasiões, o historiador atravessava o lago de barco, acompanhado de alguns amigos, e comemorava com “foguetes, bebidas e biscoitos” junto com os quilombolas.  Estas confraternizações festivas prolongavam-se até altas horas da manhã, com danças animadas no terreiro ao ritmo da cabecinha de égua, acompanhadas pelos sons melodiosos dos oito contrabaixos de Vicente Ventura. Os indivíduos expressaram profunda gratidão, no entanto, constataram de que a terra em si não era tão fértil como esperavam. Consequentemente, tomaram a decisão de vender suas propriedades. Inicialmente, aqueles que procuravam um retiro à beira do lago eram os principais compradores. Infelizmente, a cidade não se mostrou benéfica para muitos deles e apenas alguns fizeram algum progresso significativo.

Às vezes, ainda segundo Guaracy, recebia mensagens solicitando transporte de barco para levar Belmiro ao hospital, pois foi um amigo fiel até sua morte. A companheira de Belmiro, Dona Conceição, também faleceu na cidade após viver uma vida marcante e longa ao lado do patriarca. O historiador ainda ressalta que as histórias de todos aqueles habitantes permaneceram intacta em suas memórias, incluindo Joaquim Rodrigues (viúvo), João Rodrigues casado com Mercês Maria Rodrigues; Marinho Rodrigues c/c Maria Severina de Jesus; Francisco Rodrigues c/c Vicentina Rodrigues de Paula; José Rodrigues c/c Maria Alves Rodrigues; Divino Rodrigues c/c Raimunda Vieira Rodrigues, bem como outros indivíduos ainda menores de idade. Destaca que se tratava de pessoas de bom caráter, honrados, humildes, indiferentes às agruras da vida, exemplificando a natureza pacífica e vida dinâmica daqueles verdadeiros quilombolas.

Hipótese

Após realizar uma breve investigação sobre o líder quilombola Belmiro, estou confiante de que as informações que encontrei estão alinhadas com as conclusões do pesquisador Guaracy. Para verificar ainda mais a veracidade, seria necessário o acesso às escrituras de terra daquela época. Com base nos documentos que examinei posso fornecer os seguintes dados: o nome completo do patriarca era Belmiro Severino Rodrigues, natural de Itaúna. Faleceu em 17 de abril de 1968, aos 78 anos, no dia seguinte foi sepultado no Cemitério Central do município de Itaúna. O registro de óbito o categoriza como filho de Carlota de tal, o que é bastante intrigante. Vale ressaltar que o nascimento de Belmiro ocorreu por volta de 1890, período pós-abolição. A partir disto, pode-se razoavelmente presumir que a sua mãe provavelmente tinha sido escravizada antes deste ato significativo de mobilização.

TABLOIDE DA FAMÍLIA RODRIGUES PARA BAIXAR


Referências:

Pesquisa e organização: Charles Aquino - Historiador Registro Profissional nº 343/MG

Fonte Impressa:  NOGUEIRA, Guaracy de Castro. In Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa: Itaúna em detalhes. Ed. Jornal Folha do Povo, 2003, fascículo 34.

Imagem Ilustrativa: Autor Johann Moritz Rugendas, Escravidão, Habitation de négres, 1827. Brasiliana Iconográfica, Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil. Coleção Brasiliana/Fundação Estudar. Doação da Fundação Estudar, 2007. Disponível em: https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/19497/habitation-de-negres

Cemitérios Municipais: Prefeitura Municipal de Itaúna. Registro de óbito. Disponível em: https://www.itauna.mg.gov.br/portal/cemiterios/7207/

Certidão de óbito MG Cidadão: Disponível em:  https://cidadao.mg.gov.br/#/login

terça-feira, 7 de março de 2017

FAMÍLIA AQUINO: ORIGEM


Aristides de Aquino, patriarca da família Aquino, nasceu no arraial do Morro de Matheus Leme, hoje cidade de Mateus Leme, no ano de 1912, foi funcionário da Rede Ferroviária por vários anos exercendo a função de Guarda-Fio – pessoa que fiscaliza a linha telegráfica ou telefônica e efetua reparações de emergências.

Ele casou em 27 de janeiro do ano de 1940, com Maria Nazaré Castanheira e percorreu várias cidades de minas trabalhando pela Rede, sendo a sua moradia um vagão atrelado ao trem, tendo mais vagões que ficavam instalados a esquipe de trabalhadores e ferramentas sob a sua coordenação.

Desta união, o casal teve quatorze filhos (dois morreram na infância) – José Maria de Aquino, nascido em Passa Quatro, Maria Aparecida de Aquino, nascida em Alfenas, Leonardo Custódio de Aquino, nascido em Araxá, Lucília Castanheira de Aquino, nascida em Belo Horizonte, Luiz Gonzaga de Aquino, Geraldo Benedito de Aquino, Maria Lúcia de Aquino, Maria de Fátima de Aquino, Aristides Antônio de Aquino, Natália de Aquino, Maria Márcia de Aquino e Maria Angélica de Aquino nascidos em Itaúna. Uma criança foi adotada pelo casal, Weber de Oliveira, nascido também em Itaúna.

No ano de 1936, o presidente Getúlio Vargas, assinava a Lei de número 252 de 26 de setembro, que prorrogava o prazo para o registro civil de nascimentos: Art. 1º Os nascimentos ocorridos no território nacional desde 1 de janeiro de 1879, que não foram registrados no tempo próprio, devem ser levados a registro dentro do prazo de um ano, mediante: 1º Petição e despacho do juiz do cível do lugar do nascimento se o registrando tiver doze anos de idade, ou mais.

Aos 19 de outubro do ano de 1937, Aristides com idade de 25 anos, compareceu ao Cartório de Mateus Leme com a presença de testemunhas, exibindo uma petição despachada pelo Juiz de Direito para registrar o seu nascimento em virtude da Lei de 1936 e declarou:
Que ele declarante ARISTIDES DE AQUINO, do sexo masculino, de cor morena, nasceu neste arraial, à rua do cemitério, no dia sete de março de mil novecentos e doze, às dezesseis horas, que é filho de JOÃO CAMILLO DA SILVA, brasileiro, já falecido e de dona MARIA ADRIANA DA SILVA, brasileira, ambos naturais deste distrito, (...), que são seus avós: pelo lado paterno CAMILLO MOREIRA DA SILVA E MARIA LUCAS DA SILVA, ambos já falecidos e pelo lado materno FRANCISCA MARIA DE JESUS, já falecida; finalmente que não tem outros irmãos com o mesmo prenome. Do que faço constar, faço este termo em que comigo assinaram o declarante e as testemunhas MANOEL BRAZ OBELHEIRO, comerciante e JOSÉ MENDES, padeiro, residentes neste distrito, depois de ser lido por mim e achado tudo conforme. Eu Francisco de Abreu Vasconcellos, oficial do Registro, o escrevi e assino.  O referido é verdade, do que dou fé, Mateus Leme -  MG, 1937.

Além de exercer com competência e amor sua profissão de Guarda-Fio, Tico – Tico, assim chamado pelos seus amigos e familiares, Aristides de Aquino, apreciava o futebol e uma boa música. Sempre acompanhando de seu charmoso e inseparável moustache (bigode) tinha como aliado, um senso de humor apurado, esse cultivado até hoje pelos seus descendentes. Sua casa em Itaúna, era situada à rua Santo Agostinho, nº 67 - Graças.  

  Verificando a documentação no cartório da cidade de Mateus Leme, percebi que o sobrenome AQUINO teria sido escolhido pelo próprio declarante Aristides, cujo seus pais não possuíam. Descobriu-se também, uma interessante informação sobre o monge dominicano, professor filósofo e teólogo São Tomás de Aquino (morreu em 7 de março de 1274) e Aristides de Aquino (nasceu em 7 de março de 1912), que ambos tinham o mesmo dia e mês em comum. Conversando com familiares, fui informado que meu avô Aristides de Aquino era devoto do monge, no qual, certamente em sua homenagem, adotou o seu sobrenome dando origem a família AQUINO.

Itaúna, 07 de março de 2017
Charles Aquino


LEGADO DO DEVOTO DE SÃO TOMÁS DE AQUINO

 

O impacto de Aristides de Aquino como profissional e como pai é caracterizado por uma mistura de proficiência, comprometimento, perseverança e carinho. Seus filhos herdaram não apenas um nome, mas também uma coleção de princípios e modelos. A influência de Aristides é evidente na conduta, na ética de trabalho e na resiliência demonstradas pelos seus descendentes ao enfrentarem as provações da vida, garantindo que o espírito e os ensinamentos do seu patriarca perduram.

Inspirando-se em São Tomás de Aquino, a decisão de adotar o sobrenome Aquino significa um vínculo profundo com a fé e a espiritualidade. Sem dúvida, esta devoção desempenhou um papel fundamental na formação do desenvolvimento moral e ético dos seus filhos, estabelecendo uma base sólida de princípios e promovendo um sentido de unidade dentro da família. Aristides de Aquino, como profissional e pai, deixou um legado indelével, impactando profundamente a educação e os valores incutidos nos seus filhos.

Aristides dedicou parte significativa de sua vida à Rede Ferroviária, cumprindo a função de guarda-fios. Esta posição específica desempenhou um papel vital na preservação da integridade das linhas telegráficas e telefónicas, que foram de extrema importância numa época em que a tecnologia ainda estava na sua fase inicial. O excepcional nível de responsabilidade e proficiência demonstrado por Aristides no desempenho das suas funções serve como um exemplo brilhante de dedicação e profissionalismo inabaláveis.

A capacidade de Aristides de se ajustar e enfrentar diversas situações e obstáculos é exemplificada pela escolha de residir em um vagão conectado a um trem, garantindo movimento constante ao lado de sua família. Apesar dos desafios, este modo de vida nômade mostra a sua adaptabilidade e a sua disponibilidade para fazer sacrifícios em prol do bem-estar da sua família e das suas obrigações profissionais. Eles não apenas proporcionaram um lar amoroso para seus filhos, mas também incutiram neles uma base sólida de valores. A vida itinerante que levaram, deslocando-se de cidade em cidade, proporcionou, sem dúvida, aos seus filhos uma educação única e diversificada, mergulhando-os em diversas culturas e expondo-os a diferentes perspectivas de vida.

A influência da dedicação inabalável de Aristides ao seu trabalho e do seu papel como pai atencioso teve um efeito profundo e duradouro nos seus filhos. Eles colheram lições valiosas sobre a importância da diligência, da responsabilidade e da resiliência. Esses princípios são fundamentais para formar indivíduos que sejam firmes na busca de aspirações pessoais e no cumprimento de responsabilidades.

Aristides não só tinha uma forte ética de trabalho, mas também encontrava alegria no futebol e na música. Esta mistura harmoniosa de trabalho e lazer provavelmente incutiu nas crianças o valor de perseguir paixões pessoais e de abraçar as alegrias da vida fora do trabalho. Além disso, o seu humor contagiante e distinto serviam como símbolos exteriores da sua personalidade viva, o que sem dúvida fomentava uma atmosfera calorosa e convidativa no seio da sua família.

 

Charles Aquino - Itaúna, 6 de junho de 2024