terça-feira, 12 de maio de 2026

MENÇÃO HONROSA: PEDRA NEGRA

 

O resultado preliminar do Concurso Sílvio Romero de Monografias sobre Folclore e Cultura Popular – edição 2025, promovido pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan),trouxe uma notícia de grande relevância para Itaúna e para os estudos sobre cultura popular no Brasil.

Entre as 121 monografias inscritas de todas as regiões do país, o trabalho “Reinado, folclore e cultura popular em Itaúna: o adro do Rosário como território sagrado da memória afrodescendente”, apresentado sob o pseudônimo Pedra Negra, do historiador itaunense Charles Galvão de Aquino, recebeu a 1ª Menção Honrosa, reconhecimento que o coloca ao lado das pesquisas mais inovadoras e consistentes deste ano no campo do folclore e das tradições afro-brasileiras.

A conquista é representativa não apenas pelo resultado em si, mas pelo que simboliza para a cidade de Itaúna e para os debates contemporâneos sobre patrimônio, memória e identidade. O Concurso Sílvio Romero, criado em 1959, é um dos mais tradicionais certames acadêmicos do país.

As monografias vencedoras passam por um processo rigoroso de avaliação, conduzido por uma comissão de pesquisadoras e pesquisadores de instituições como UFBA, UFMG, UFRGS, UnB, UFF e UFMT, referência nacional em antropologia, história, cultura popular e música. 

Esses especialistas analisam cada trabalho a partir de critérios que incluem contribuição teórica, originalidade temática, domínio bibliográfico, consistência argumentativa e clareza na apresentação dos resultados. Em outras palavras, não se trata de um prêmio de participação, mas de um espaço onde apenas pesquisas com real densidade acadêmica ganham destaque.

Neste contexto altamente competitivo, a menção honrosa atribuída ao trabalho evidencia que o estudo sobre o Reinado, o Congado e o adro do Rosário em Itaúna alcançam um nível de maturidade intelectual que dialoga com agendas nacionais e com debates consolidados sobre religiosidade afro-brasileira, memória coletiva, territórios sagrados e patrimônio cultural.

O texto premiado demonstra que o adro do Rosário não é apenas um espaço físico, mas um território ritual e histórico onde narrativas, práticas e símbolos afrodescendentes resistiram e se reinventaram ao longo do tempo, mesmo diante de repressões, tentativas de silenciamento e transformações urbanas. 

Essa perspectiva interdisciplinar coloca Itaúna em posição de destaque ao reconhecer que suas celebrações e tradições não são manifestações periféricas, mas elementos essenciais da herança cultural brasileira.

Ao tratar o adro do Rosário como um “território sagrado da memória afrodescendente”, o estudo ilumina práticas de fé, redes de solidariedade e formas de resistência que estruturaram a experiência negra no município e continuam a moldar sua identidade cultural.

O reconhecimento nacional, portanto, fortalece reivindicações em torno da preservação do patrimônio material e imaterial, especialmente no Morro do Rosário de Itaúna/MG.

Ao receber a 1ª Menção Honrosa, o trabalho Reinado, folclore e cultura popular em Itaúna ganha visibilidade pública e passará a integrar o acervo da Biblioteca Amadeu Amaral do CNFCP, onde poderá ser consultado por pesquisadores, estudantes e instituições interessadas no tema.

Isso contribui não apenas para difundir o nome de Itaúna e de sua tradição centenária, mas também para ampliar o debate sobre a memória afrodescendente no interior de Minas Gerais, aproximando a cidade de outras pesquisas nacionais sobre congados, reinados e religiosidades negras.

A premiação abre portas importantes para o fortalecimento das políticas culturais locais, já que legitima a relevância do Reinado e do adro do Rosário enquanto patrimônios coletivos.

Num momento em que muitas manifestações de matriz africana ainda enfrentam preconceito, marginalização e disputas simbólicas, ver um estudo sobre Itaúna ser destacado entre tantas pesquisas de alta qualidade reafirma a necessidade de valorização das tradições negras como fundamento da cultura brasileira.

Sob o pseudônimo Pedra Negra, a pesquisa reconhecida nacionalmente demonstra que o interior mineiro produz conhecimento capaz de transformar debates, ampliar horizontes e reposicionar histórias que por muito tempo foram relegadas aos bastidores.

A 1ª Menção Honrosa do Concurso Sílvio Romero 2025 não celebra apenas um pesquisador: celebra o Reinado, celebra a memória do Rosário e celebra a força ancestral que moldou — e continua moldando — Itaúna como um território vivo de fé, resistência e pertencimento.

REINADO DE ITAÚNA MG


Resumo: Esta monografia analisa o Reinado, o folclore e a cultura popular em Itaúna, tomando o adro da Capela do Rosário como território sagrado da memória afrodescendente. O Reinado de Nossa Senhora do Rosário é interpretado como prática religiosa e política, na qual fé, ancestralidade e resistência se entrelaçam de forma coletiva. 

Embora o antigo cemitério tenha sido suprimido em sua estrutura física, abriga os restos mortais de centenas de afrodescendentes, configurando-se como espaço de pertencimento, dignidade histórica. 

A pesquisa demonstra como a cultura popular afro-brasileira transforma o esquecimento em presença simbólica viva. Diante da desatenção histórica e do apagamento dessa dimensão funerária, o trabalho defende o reconhecimento do antigo cemitério do adro como patrimônio imaterial, imprescindível à história negra e à construção da identidade cultural itaunense.




IMAGEM & VÍDEO
Reconstituição ilustrativa foi criada inspirada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Morro do Rosário, em Itaúna/MG, e na pesquisa “Reinado, folclore e cultura popular em Itaúna: o adro do Rosário como território sagrado da memória afrodescendente”, reconhecida com 1ª Menção Honrosa no Concurso Sílvio Romero 2025.

A imagem e vídeo não correspondem a um registro histórico, tratando-se de uma interpretação artística. Sua composição busca evocar o adro do Rosário como espaço de memória, fé e ancestralidade, incorporando simbolicamente o antigo cemitério que ali existiu, representado pelas cruzes que circundam a igreja.

Mais do que uma representação arquitetônica, a cena procura traduzir visualmente a dimensão simbólica do lugar: um território onde religiosidade, cultura popular e história afrodescendente se entrelaçam. 

A presença do Reinado, das práticas devocionais e dos elementos funerários remete à continuidade da memória coletiva, evidenciando formas de resistência, pertencimento e ressignificação diante do apagamento histórico.

Trata-se, portanto, de uma imagem e vídeo construídos para provocar reflexão — não sobre o que se vê, mas sobre o que foi silenciado, transformado e preservado no imaginário e nas práticas culturais de Itaúna.


Honorable Mention for “Pedra Negra”: Afro-Brazilian Memory and Cultural Heritage in Focus

The research project “Reinado, Folklore and Popular Culture in Itaúna: The Rosário Courtyard as a Sacred Territory of Afro-Brazilian Memory”, presented under the pseudonym “Pedra Negra”, received the 1st Honorable Mention at the prestigious Silvio Romero National Competition.

Among 121 submissions from across Brazil, the work stood out for its analytical depth and interdisciplinary approach, positioning itself alongside some of the most innovative research in the fields of folklore, cultural heritage, and Afro-Brazilian studies.

Organized by the Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), the competition is one of the most traditional academic forums dedicated to the study of Brazilian popular culture. Its evaluation process involves scholars from leading institutions, including federal universities recognized for their contributions to anthropology, history, and ethnomusicology.

The awarded research examines the Reinado tradition and the Rosário courtyard in Itaúna as a sacred space of Afro-descendant memory. It highlights how religious practices, collective rituals, and historical experiences intertwine to produce a living cultural heritage.

Particular emphasis is given to the historical presence of an old cemetery in the area, understood not merely as a physical site, but as a symbolic territory of belonging, dignity, and resistance. The study argues that even in the absence of visible material structures, memory persists through cultural practices and collective identity.

This recognition reinforces the relevance of local history within broader academic debates. It demonstrates that studies grounded in specific regional contexts can contribute significantly to national and international discussions on memory, heritage, and Afro-Brazilian culture.

Furthermore, the award strengthens ongoing efforts to recognize and preserve the Rosário site as an essential component of cultural heritage, particularly in relation to Afro-descendant history in Brazil.

By receiving this distinction, the research gains greater visibility and becomes part of the academic archive of the CNFCP, where it will be accessible to scholars, students, and institutions interested in the subject.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

PADRE JOSÉ NETO

 

PADRE JOSÉ FERREIRA NETTO

Grande figura humana, Modelar Discípulo de Jesus, Pastor dedicado e zeloso de seu rebanho. Educador e formador de gente. Uma vida dedicada aos humildes, principalmente aos carentes e órfãos.

Nasceu no pequeno lugarejo, freguesia do Sagrado Coração do Coco (São Caetano de Moeda), em 19 de junho de 1910. Mário Delfino Moreira, nascido na Moeda e Antônia Ferreira são seus pais. 

Avós paternos, José Ferreira, português, e Leonor Vieira Braga, do Coco. Avós maternos, Francisco Machado Netto e Maria Ferreira Marques, de São José do Paraopeba. 

Encaminhado para a vida sacerdotal pelo grande arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta . Seminarista no Seminário do Coração Eucarístico de Belo Horizonte, com apoio de Dom Antônio dos Santos Cabral, com bolsa que lhe deram as irmãs do Colégio Coração de Jesus, de Belo Horizonte. 

O Bispo e arcebispo Dom Cabral lhe devotava grande amizade e afeto, acompanhou sua passagem pelo seminário e lhe deu a tonsura, as ordens menores, o subdiaconato, o diaconato e o presbiterado. Ordenou-se no mesmo dia com Dom Cristiano Portela de Araújo Pena, Padre Sinfrônio Torres e Padre Guilherme Kriger.

Antes de vir para Itaúna, foi cooperador do Monsenhor Guedes na Lagoinha (1938/39), depois, sucessivamente, vigário de Piedade do Paraopeba (1939/43) e de Itaúna (1943/85). 

Nestes períodos, foi encarregado de várias outras paróquias: São José do Paraopeba (1939/43), Moeda (1941/43), Itatiaiuçu (1943/46), Santanense (1943) e Padre Eustáquio (1960). Seu colega de ordenação, Dom Cristiano, primeiro bispo de Divinópolis, concedeu-lhe o título honorífico de cônego, por autorização do Papa Paulo VI (1966).

Em nossa cidade, criou novas paróquias: Coração de Jesus de Santanense (1953), Nossa Senhora de Fátima do Padre Eustáquio (1960), Nossa Senhora das Graças, na Ponte (hoje Graças) e Nossa Senhora da Piedade do Serrado (hoje Piedade), em 1970. 

A zona rural foi enriquecida com novas capelas: Córrego do Soldado, Garcias (depois paróquia). Cachoeirinha, Vista Alegre (nome dado por ele ao Pasto das Éguas), Carneiros, Paulas e Santo Antônio da Barragem (construída pela Itaunense, com participação da comunidade).

Presença decisiva na criação da Granja Escola São José, realizando um sonho de quando seminarista frequentava o Instituto João Pinheiro em Belo Horizonte, um centro de amparo a órfãos, carentes e meninos com desvio de conduta. 

Co-fundador do Colégio Santana, que passou pelas mãos do Padre José Nobre, do professor Raimundo Corrêa de Moura e do professor José Coutinho (com a colaboração de sua esposa Dª Vani e do saudoso professor Geraldo dos Santos), no casarão dos Cerqueira Lima na Rua Silva Jardim.

Construída a nova sede do Colégio pela Santa Casa, fruto do testamento do maior benemérito de Itaúna no século XX, Manoel Gonçalves de Sousa Moreira (através da Sociedade Anônima com o nome do benemérito instituidor da Fundação), Padre Netto foi o responsável pela vinda dos padres americanos, frei Ambrósio e Cipriano, franciscanos conventuais e, finalmente pelos padres espiritanos ( Adriano, Pedro Schoonnaker, Cauper, Luiz e outros), os quais se tornavam vigários, ficando o colégio nas mais deste notável educador que é o Padre José "das crianças", que transformou em educandário orgulho da comunidade, sala de visitas de Itaúna. 

Exerceu grande influência na instalação do Orfanato São Vicente de Paula, obra meritória de Dona Cota. Vigário de Itaúna ao longo de quase 42 anos. Pastor que mais tempo ficou à frente da paróquia de Santana. Conseguiu uma nova Casa Paroquial com a ajuda de dedicadas senhoras das famílias Cerqueira Lima e Gonçalves de Souza. Além disso, são imensas as marcas deixadas pelo operoso e dinâmico vigário em Itaúna.

Membro do conselho fiscal da Universidade de Itaúna, completou a construção da Igreja da Matriz, terminando o coro, instalando os altares laterais e o púlpito. Assumiu a direção da Escola Normal oficial de Itaúna (Colégio Estadual), em momento de grande crise.  

Inspirador da APAC, obra que sempre contou com o trabalho e a dedicação de Waldeci Antônio Ferreira. Ergueu o Centro Comunitário da Paróquia, contando com o patrocínio do senhor Joaquim Soares Nogueira (Quincas), numa homenagem ao seu falecido Cláudio.

Muito pode ser acrescentado à biografia deste notável e humilde homem de Deus. Esta ligeira exposição, ao ensejo dos 160 anos da criação da Paróquia de Sant'Ana, atende apenas ao desejo jornalístico da Tribuna da Imprensa, solidária com as manifestações prestadas no Museu Francisco Manoel Franco, pela comunidade itaunense, a tão grande benfeitor cidadão honorário da terra de Sant'Ana, merecedor do eterno reconhecimento dos barranqueiros do Rio São João Acima.

Padre José Ferreira Netto está na galeria de honra dos mais notáveis itaunenses !

Guaracy de Castro Nogueira






Organização: Charles Aquino -  Historiador

EGIPCÍACAS ESCRAVIZADAS

 

HISTÓRIA DA ESCRAVIDÃO EM ITAÚNA MG

Para quem se interessa por histórias de fé, devoção e resistência, convido vocês a conhecer a inspiradora trajetória das EGIPCÍACAS ESCRAVIZADASAnna e Rosa. 

Suas narrativas ocorrem em tempos e contextos distintos, mas ambas marcaram suas vidas com profundas expressões de espiritualidade.

Rosa Egipcíaca, uma santa africana que viveu no século XVIII (1719-1771), e Anna Egipcíaca, sua devota, que viveu no século XIX (1807-1852) em Sant'Ana do Rio São João Acima, hoje Itaúna (MG), compartilharam a mesma fé, apesar de suas épocas diferentes.

 Mesmo separadas no tempo e no espaço, foi a fé que as aproximou, oferecendo-lhes coragem e esperança para enfrentar os desafios da vida escravizada.

Este registro apresenta a fascinante história dessas mulheres, entrelaçando misticismo cristão com tradições afro-brasileiras, e mostra como a fé transformou suas vidas e impactou profundamente suas comunidades. 

Não perca a oportunidade de conhecer essa comovente história de milagres, devoção e resistência espiritual. Em breve, disponível aqui no blog e na plataforma do Youtube Itaúna Décadas! Imperdível!

ANNA EGIPCÍACA PARDA

 Aos vinte dois de Janeiro de mil oitocentos e cinquenta e dois foi sepultado no adro do Rosário o cadáver de ANNA EGIPCÍACA parda, de idade de quarenta e cinco anos, morfética. E para constar faço este assento em que assino. O Vigário Encomendado João Batista de Miranda. 

Fonte: Family Search :Santana Óbitos 1840, Jan-1888, Fev . Imagem: 1

SANTANA DO RIO SÃO JOÃO ACIMA - 1852

(ITAÚNA/MG)

 

 A imagem utilizada nesta publicação foi gerada por meio de inteligência artificial, com finalidade exclusivamente ilustrativa.

© ITAÚNA DÉCADAS

Projeto independente de memória, história e patrimônio cultural.

Texto, pesquisa, arte e concepção:

O MAESTRO DA PEDRA NEGRA

 

HISTÓRIA HINO MUNICÍPIO DE ITAÚNA

Poucas cidades podem orgulhar-se de ter sua identidade cívica tão fortemente marcada por uma obra musical como Itaúna.

 O Hino Oficial do Município, cuja letra foi composta pelo Dr. José Valeriano Rodrigues e cuja melodia nasceu do talento do Professor e Maestro Jesus Ferreira, é uma síntese da história, da fé, do trabalho e do progresso que moldaram a comunidade.

Jesus Ferreira, homem simples e profundamente ligado às raízes itaunenses, possuía a habilidade rara de traduzir em sons aquilo que a poesia exalta em palavras.

Sua música deu vida aos versos que celebram Sant’Ana, a fé dos primeiros habitantes, o trabalho árduo dos ancestrais e o desenvolvimento industrial da cidade.

Em 1956, escrevendo de São Paulo, o Professor Jesus Ferreira dirigiu-se ao irmão Cosme Caetano da Silva – "jornalista, advogado, radialista, dramaturgo, político e também homem das artes". Nessa carta, registrada com carinho e esperança, ele relatava o desafio de musicar os versos de Valeriano Rodrigues e o desejo de ser útil à sua “cara Itaúna”:

“Fiz tudo o que estava ao meu alcance para agradar a vocês e me sentirei muito feliz se puder ser de alguma forma útil a nossa cara Itaúna. Se conseguirmos o prêmio, irei até aí, e celebraremos…”

A carta revela não apenas o processo criativo, mas também o afeto que Jesus nutria pela cidade e pela família. Com humildade, ele confiava que seu trabalho pudesse conquistar o júri e perpetuar-se como símbolo municipal.

Veio a confirmação: a melodia de Jesus Ferreira foi escolhida em concurso público, recebendo a consagração oficial. A Lei Municipal nº 331, de 11 de outubro de 1956, sancionada pelo prefeito Milton de Oliveira Penido, oficializa o hino, legitima a escolha popular e reconhece a obra de Valeriano Rodrigues (letra) e Jesus Ferreira (melodia).

A norma resultou de um concurso público, previsto por Lei Municipal que estabeleceu uma comissão julgadora composta por personalidades locais (Lincoln Nogueira Machado, Padre Waldemar Antônio de Pádua Teixeira e Professor Osvaldo Chaves).  Mais tarde, a Lei nº 416, de 2 de junho de 1958, reforça juridicamente a decisão, corrige e consolida a redação legal, transformando o hino em um símbolo municipal.

A importância do Hino de Itaúna e dos demais símbolos oficiais foi reforçada décadas depois pela Lei nº 3.278, de 12 de agosto de 1997, que determinou a obrigatoriedade do ensino do significado e valor dos símbolos oficiais do município, bem como do canto e da interpretação da letra do hino, em todos os estabelecimentos de ensino público da cidade. 

Os símbolos definidos pela lei — Hino, Bandeira e Brasão — tornaram-se parte da formação cidadã das novas gerações, garantindo que o legado de Jesus Ferreira e de José Valeriano Rodrigues permanecesse vivo não apenas em cerimônias cívicas, mas também nas salas de aula, onde crianças e jovens aprendem a valorizar sua história e identidade.

Legado e Memória

A melodia criada pelo Maestro Jesus Ferreira não é apenas acompanhamento musical: ela transforma a poesia em experiência coletiva. O ritmo solene e ao mesmo tempo vibrante permite que o hino seja entoado em cerimônias oficiais, escolas e eventos culturais, unindo gerações em um mesmo sentimento de pertencimento.

A música ressalta a grandeza da terra natal, reforça a religiosidade com a devoção a Sant’Ana e ecoa o som das fábricas, do ferro e dos teares que fizeram de Itaúna um centro de trabalho e esperança.

Hoje, ao se ouvir o Hino de Itaúna, ressoam não apenas versos e notas, mas também a dedicação de um professor que, em meio às dificuldades da vida cotidiana, soube transformar talento em patrimônio cultural. 

A carta ao irmão Cosme é um documento vivo desse momento histórico, mostrando que, antes da glória, houve esforço, humildade e amor pela cidade natal.

O legado do Maestro Jesus Ferreira, bem como o de seu irmão Cosme Caetano, ultrapassa a obra musical. Representa a união de família, arte e cidadania em prol de Itaúna. Cada vez que o hino é entoado, é como se a voz do professor ainda ecoasse, conduzindo em melodia o orgulho de um povo. 

Assim, o nome do Professor e Maestro Jesus Ferreira ficou eternamente gravado na história de Itaúna (Pedra Negra), como o compositor da trilha que embala os ideais de fé, luta e progresso.

 VEJA MAIS...

HINO DE ITAÚNA

O MAESTRO DA ALMA

PROFESSOR ITAUNENSE

ENSINO DOS SÍMBOLOS

BRASÃO DO MUNICÍPIO

BANDEIRA DE ITAÚNA

JORNAL FOLHA DO POVO

SETEMBRO CELEBRAÇÕES


Referências:

Pesquisa e elaboração: Charles Aquino – Historiador Registro nº 343/MG

Imagem meramente ilustrativa criada com IA, inspirada no conteúdo do texto.       

Carta datilografada de Jesus Ferreira (SP) ao irmão Cosme Silva (MG) – Acervo Professor Giovanni Vinicius (sobrinho de Jesus e filho de Cosme).

ITAÚNA (Município). Lei nº 331, de 11 de outubro de 1956. Adota letra para o “Hino do Município de Itaúna”. Itaúna: Prefeitura Municipal, 1956.

ITAÚNA (Município). Lei nº 416, de 2 de junho de 1958. Modifica o artigo 1º da Lei nº 331, de 11 de outubro de 1956. Itaúna: Prefeitura Municipal, 1958.

ITAÚNA (Município). Lei nº 3.278, de 12 de agosto de 1997. Dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino do significado dos símbolos oficiais do Município, bem como do canto e da interpretação da letra do Hino Municipal nos estabelecimentos de ensino público. Itaúna: Prefeitura Municipal, 1997.

ITAÚNA DÉCADAS - Biografia Cosme Silva